
Pousada UpSerra · Urubici/SC
Urubici, ponto de partida.
Antes de ser destino, é a casa onde a expedição começa.

Por que partimos daqui
A gente não se mudou pra Urubici pra viver do turismo. Cresceu aqui. Andou de bicicleta nessas ruas, subiu morro a cavalo, dirigiu trator no sítio, foi à escola das freiras. Quando começamos a receber motociclista, ainda era na casa da minha mãe — chamava Pousada das Flores e tinha aberto em 1992, dois meses depois da matéria do Fantástico chamar Urubici de Sibéria Brasileira.
Trinta e quatro anos depois, a casa segue. Os hóspedes mudaram de chinelo pra bota de pilotagem. E Urubici, que era destino, virou ponto de partida.
Esta página é pra quem chega de moto. Conta o que a gente conta no balcão da pousada quando alguém pergunta “e amanhã, onde a gente vai?”.
As estradas que amamos
Estrada do Parque Nacional de São Joaquim

O Parque Nacional foi a primeira estrada de aventura que aprendi a respeitar. Lá meus irmãos de infância e eu atravessávamos a cavalo todo julho na Tropeada da Integração: dois dias de cavalo, neve, frio, nevoeiro, gente que já tinha se perdido naqueles campos entre Urubici e Bom Jardim da Serra. Eu tinha 14 anos quando comecei. Foi a minha escola de expedições.
Hoje a gente faz a mesma travessia de moto, em menos tempo, com mais conforto. Mas a estrada não mudou. Trecho de terra batida, paisagem de campos de altitude, araucárias, vento que não pede licença. Pra motos trail e big trail no inverno seco é o paraíso. Na chuva, pede experiência.
Santa Bárbara

A estrada que liga Urubici a Santa Bárbara não está no folder de ninguém. Terra batida, planalto aberto, capim que bate na canela. Não tem mirante oficial — a paisagem é a estrada inteira. Quando o sol baixa, o pasto vira ouro e o vento parou de pedir licença.
Pra quem viaja de moto trail é o tipo de trecho que justifica o pneu misto. Sem trânsito, sem turista, sem pressa. Curto na medida — meia manhã, com uma parada pra olhar o horizonte sem precisar tirar foto.
A 20 km da pousada.
Serra do Corvo Branco

Esta estrada tem história de família. Meu avô, Natal Zilli, foi prefeito de Urubici nos anos 70 e começou o corte da Serra do Corvo Branco em 1970. A obra atravessou quatro mandatos até ficar pronta — naquela época, prefeito ficava seis anos. Em 1997 ele escreveu um livro só sobre essa obra: Serra do Corvo Branco, um monumento do Planalto Catarinense. A gente herdou a estrada de quem abriu ela.
Hoje a SC-370 entre Urubici e Grão-Pará é asfalto novo, curvas largas, paredão de mata caindo dos dois lados. Pra motos de estrada e big trail é o passeio óbvio de meia-tarde. Saída no começo da manhã, café na descida, volta antes do nevoeiro fechar — ele costuma subir no fim do dia.
A 36 km da pousada.
Morro da Igreja e Pedra Furada

O ponto mais alto de Santa Catarina — 1.822 m. A Pedra Furada está aqui em cima — a janela de pedra que aparece em todo lugar é parte do mesmo morro.
É também onde a UpSerra começou. Foi numa descida do Morro da Igreja, numa segunda 16h, com 12 motos no retrovisor, que reconheci o que ia fazer da vida. Não era projeto. Era o que já tava acontecendo. “O que eu quero — ficar num escritório resolvendo problema dos outros, ou estar aqui?” Não precisei responder.
Pra quem chega de moto: subida fácil de asfalto pelo lado de Urubici. Foto obrigatória no mirante. Hóspede sem moto chega de carro também — leve uma blusa, mesmo no verão.
A 30 km da pousada.
Serra do Rio do Rastro e Cânion do Funil

Não fica em Urubici, fica em Bom Jardim da Serra — pegando a saída sul. Mas é o passeio que ninguém quer perder. A Serra do Rio do Rastro dispensa apresentação: as curvas que viraram cartão postal do mototurismo brasileiro. O melhor mirante é de cima — pra ver, tem que descer e subir de novo.
Logo ao lado fica o Cânion do Funil — paredões verticais que cortam a serra, vista que cala todo mundo. Os dois cabem no mesmo dia. Saída cedo, café numa das paradas no alto, volta antes do nevoeiro.
A 90 km da pousada.
SC-110 — Serra do Panelão

A SC-110 entrando em Urubici pela Serra do Panelão é a porta de entrada da cidade — e quase ninguém presta atenção. Vem cansado da BR-282, conta os quilômetros pra chegar, atravessa a serra mais bonita do trajeto como se fosse trecho de cumprir. Devia parar.
Asfalto fechado por mata atlântica, curvas longas, mirante natural a cada subida. Na primavera, as azaleias enchem a beira da pista de rosa — vale a viagem só por isso. Da próxima vez que vier, separe meia hora a mais. A porta de entrada é parte da casa.
Urubici é casa pra todos
Aqui não é só destino de motociclista. Quem gosta de pedalar, voar, escalar, caminhar, cozinhar pelo fogo ou esperar a maçã madurar — encontra casa. Urubici é casa pra todos. O que cabe na agenda de quem fica mais que um dia.
Off-road

Trilhas de mata, escola de pilotagem, terreno técnico curto. Quem vem de big trail e quer experimentar enduro encontra escola local. Bota a perna na máquina certa antes de subir o Parque Nacional.
Mountain bike

Trilhas de single track na serra, descidas longas, mirantes que valem o suor. Bike própria ou aluguel local — a infraestrutura existe e cresceu.
Caminhada

Trilha do Morro da Igreja, paredões da Pedra Furada por dentro, Cascata do Avencal (a 7 km da pousada — a mais perto de tudo) e Morro do Campestre (também 7 km — outro mirante de bolso). Em qualquer estação cabe pé na terra.
Voo livre

O Morro do Parapente em Urubici é referência sul-brasileira pra voo de pano. Voos de aprendizagem com pilotos da casa — você só precisa estar disposto a correr alguns metros antes de descolar.
Esportes verticais

Rapel em paredão, cascading nas cachoeiras da serra. Material de operadores locais.
Colheita — fevereiro a abril
Urubici é uma das poucas regiões do Brasil onde fruta de clima temperado vinga. A colheita da maçã abre em fevereiro, vai até abril. A uva da Vinícola Serra do Sol — que é da nossa família, meu pai plantou as primeiras mudas em 2007 — tem janela parecida. Vinho novo no final de abril. A 9 km da pousada.
Gastronomia de campo

A serra catarinense cozinha pelo fogo. Costela na cruz, ovelha no fogo de chão, charqueada, pinhão. Sem pretensão de fine dining — pretensão de fome no fim do dia.
Pinhão no inverno

De maio a agosto a araucária derrama. Pinhão cozido na panela de ferro, no fogo de chão, é o som-cheiro-sabor do inverno na serra. Em qualquer venda de beira de estrada você encontra.
A linhagem

Não é só a pousada que está aqui há tempos. É a família inteira.
Meu avô, Natal Zilli, abriu o corte da Serra do Corvo Branco como prefeito nos anos 70. Minha mãe, Nelly, abriu a Pousada das Flores em 1992 — pouco depois de Urubici sair no Fantástico. Eu abri a UpSerra Mototurismo em 2020.
Três gerações abrindo caminho na mesma serra. Cada uma do seu jeito — todas pra mesma gente: quem chega de longe e precisa de casa.
— Markinho Zilli
Marcus “Markinho” Zilli · fundador da Pousada UpSerra e da UpSerra Mototurismo
Quando vir
Inverno (junho a agosto) — Geadas, eventualmente neve. Temperaturas negativas de madrugada. Asfalto pode ter gelo até as 10h. Estação do pinhão.
Primavera (setembro a novembro) — Mais chuvoso. Flores, paisagem viva, menos turismo. As azaleias enchem a SC-110.
Verão (dezembro a fevereiro) — Alta temporada de família. Movimento no centro, chuva de tarde.
Outono (março a maio) — Luz dourada, paisagem com cor, asfalto seco. Pico da colheita de maçã e uva.
Nossa opinião: o melhor de Urubici é entre abril e junho. Outono colando com começo de inverno, paisagem amadurecendo, frio ainda manso, asfalto firme. É quando a gente sairia sem pensar duas vezes.
Onde dormir

A Pousada UpSerra fica na Avenida Adolfo Konder, 2273 — centro de Urubici, garagem coberta pras motos, café da manhã que começa cedo na estação fria. Restaurante na própria recepção, o Restaurante UpSerra, com jantar e chope de segunda a sábado.
Cada apartamento tem nome de flor — herança da Pousada das Flores. Em qualquer um deles você está muito bem acomodado.
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